
O Professor Victor Travancas não é um advogado comum — e jamais pretendeu sê-lo.
Mestre e Doutor em Direito Constitucional, construiu sua trajetória nos corredores onde o poder raramente gosta de ser observado em silêncio.
Iniciou sua vida pública no movimento estudantil e, aos 18 anos, já estava trabalhando no Gabinete do icônico Prefeito Cesar Maia, aprendendo cedo que a política real se faz muito além dos discursos, nos detalhes, nos bastidores e nas decisões que não admitem ingenuidade.
Apesar de ter sido imortalizado pela imprensa como o “Advogado dos Diabos”, Travancas jamais atuou à margem do sistema. Ao contrário: trabalhou para políticos, gestores públicos e até mesmo para um Cardeal da Igreja Católica, conhecendo por dentro as engrenagens do poder civil e religioso.
Foi Advogado Sênior da Arquidiocese do Rio de Janeiro, transitou pela administração municipal e estadual e assessorou figuras centrais da política fluminense, como Eduardo Paes, Rodrigo Maia, Ronaldo Cezar Coelho e Moreira Franco, entre outros nomes que moldaram à história recente do Estado.
Na Prefeitura do Rio de Janeiro, atuou como Coordenador de Captação de Recursos na gestão do Prefeito Marcelo Crivella.
No Governo do Estado do Rio de Janeiro, exerceu o cargo de Subsecretário do Gabinete do Governador, sendo responsável pela política de compliance e governança — missão ingrata em um ambiente historicamente marcado por zonas cinzentas.
À frente do Arquivo Público do Estado do Rio de Janeiro, lidou com a memória institucional como quem sabe que documentos também acusam, absolvem e revelam silêncios incômodos.
No âmbito da advocacia institucional, deixou marca igualmente profunda. Foi Chefe da Ouvidoria da OAB/RJ e Assessor de Relações Institucionais da Presidência durante a gestão de Felipe Santa Cruz à frente da Seccional do Rio de Janeiro. Nesse período, fundou a Comissão de Advocacia Pro Bono, ampliando o acesso à justiça e institucionalizando a atuação solidária da advocacia, além de ter integrado comissões nacionais e regionais da Ordem, em temas sensíveis à democracia, às prerrogativas profissionais e ao Estado de Direito.
Foi, contudo, fora dos cargos formais que Travancas consolidou sua imagem pública. Em uma ação judicial que entrou para a história do Supremo Tribunal Federal, foi o responsável por provocar a suspensão da nomeação do filho do então prefeito para o cargo de Secretário da Casa Civil — o primeiro caso em que a Suprema Corte afastou um agente político por nepotismo em controle direto de constitucionalidade.
O episódio lhe rendeu o apelido que atravessou gabinetes e manchetes, cunhado pela Revista Veja ao traçar seu perfil público. Desde então, Victor Travancas tornou-se referência nacional no combate à corrupção, reconhecido por sua atuação técnica, combativa e, por vezes, solitária. Recebeu o Prêmio de Destaque no Combate à Corrupção da Associação Nacional dos Delegados da Polícia Federal — distinção reservada àqueles que enfrentam o sistema mesmo quando o sistema reage.
Atualmente, é Conselheiro de Administração da Portos Rio (Docas S/A) e Secretário Executivo do Comitê de Articulação Internacional, Pesquisa Aplicada e História Institucional do Estado do Rio de Janeiro, onde articula diplomacia subnacional, produção científica e preservação da memória de Estado.
